“Alguém
da platéia se habilita a entrar nesta caixa?”
Duas semanas
antes
Antônio Luís de Souza, Gerardí o grande mágico como era chamado, se prepara para mais um número apresentado pelo Circo Ciranda na cidade de Marília no interior de São Paulo, quando bateram à porta do seu camarim:
- Senhor Gerardí, uma carta.
Antônio esperava que fosse a carta que o remeteria diretamente à cidade de Las Vegas nos Estados Unidos da América, num contrato milionário para participar de shows, numa temporada de um ano.
Abriu a carta e estava escrito:

Antônio nunca soube como sua tia Cenira descobriu seu endereço, pois vida de circo, ninguém tem moradia fixa.
- E agora? – pensou em voz alta.
Bateram à porta do camarim:
- Está na hora – avisou sua assistente de palco
Nara, a japonesa.
Antônio jogou a carta entre os diversos estojos de maquiagem, e foi apresentar o seu número de mágica. No dia seguinte já estava disposto a viajar para a capital, onde Tia Cenira morava. Chegaria ao entardecer e colocaria seu plano em ação. Tudo foi muito rápido: o chá da tarde com bolachas o ajudariam a acabar com o pouco que restava da saúde de Tia Cenira. Sozinha e desamparada, seria fácil acabar com ela não deixando que ela atrapalhasse a sua viagem à Las Vegas. Não deu outra.
Após envenena – la esperou anoitecer e realizou a maior mágica de sua vida: desaparecer com o corpo de Tia Cenira.
Com a van preta dentro da garagem desde que chegara, não foi difícil coloca – la dentro da caixa que usou nas apresentações de desaparecimentos. A caixa já se encontrava, velha e rachada; e dentro de um rio, sucumbiria rapidamente, e Tia Cenira desapareceria para sempre.
Seu plano correu bem. Em duas semanas já estaria longe e quem sabe, não voltaria mais ao Brasil. A carta tão esperada chegou. Estava na hora de fazer as malas, mas não antes do último número de mágica logo a noite:
“Alguém da plateia se habilita a entrar nesta caixa?”
A mágica é aquela que todos conhecem. Entra uma pessoa na caixa da qual é fechada e após alguns segundos, a pessoa que entrou desaparece dando lugar à outra, no caso a assistente de palco Nara, a japonesa, linda mulher, bem maquiada, graciosa e cheias de paetês que quando bate a luz, brilha e ela fica com ar de poderosa.
O que não se esperava, é que no lugar de Nara, a japonesa, aparecesse Alfredo Rodrigues, o famoso delegado, muito visto nos noticiários de televisão. Com seu distintivo de delegado de polícia apontando para o nariz de Antônio, anunciou:
- Senhor Girardí, o senhor está preso.
Os shows do grande mágico terminaria ali mesmo naquela noite.