terça-feira, 31 de maio de 2016

Mia e Miau

Essa é uma historinha de dois gatos.
Na verdade, um gato e uma gata, e duas irmãs gêmeas ...

Tudo começa quando Maria e Mariana vão às compras com seus pais, o sr. Lindomar e a dona Verônica.
Algo chamou a atenção das meninas que logo enfiaram o carão na vitrine da pequena loja de animais domésticos como papagaio, periquitos, cachorros e gatos. Os dedinhos apontavam para dois gatos que encontravam - se enrolados num pedaço de pano. Pareciam assustados com tanta gente e falatório.
- O meu é o branquinho – disse Maria.
- O meu é o malhadinho – disse Mariana.
Enquanto isso...
- Onde estão as crianças, Lindomar?- disse Verônica
Verônica estava completamente agitada.
- E eu sei lá! - respondeu Lindomar na maior tranquilidade.
- Lá estão – conseguiu Verônica, avistar as duas meninas na loja de animais. Apressou -se para alcançar as mãozinhas de Maria e Mariana, porém Mariana muito mais esperta, correu para dentro da loja, se dirigindo ao balcão onde a vendedora atendia uma freguesa.
- Muito Obrigada, volte sempre! – disse a vendedora dando o troco para a freguesa que havia acabado de comprar um filhote de cachorro para o filho que, ao ver Mariana entrar aos gritos na loja, pegou imediatamente o cachorrinho escondendo – o dentro da sacola da mãe.
- A senhora me desculpe – disse a vendedora nervosa.
- Moça eu quero aquele ali – apontava Mariana em direção à jaula dos pequenos gatos.
Nisso Verônica puxando o braço de Mariana disse à vendedora que não queria nada. Lindomar veio logo atrás.
A vendedora perguntou:
- São seus pais menina?                                  

A vendedora parecia muito brava.
Sem responder Mariana foi dizendo à mãe:
- É esse que eu quero, o malhadinho.
- Eu quero o branquinho - disse Maria.
De repente a bichara começou a fazer um estardalhaço. Eram os gritos das meninas dizendo “eu quero, eu quero”, o latido dos cachorros, o piado dos pássaros e o miado dos gatos.
Enquanto o gato malhado miava, o gato branquinho só sussurrava um fraco: miiiaaa.
Malhado então pedia para que o branquinho miasse mais alto enquanto ele miava um: miiiiiaaaaauuuuu muito forte.
- Mia mais forte – ele pedia ao branquinho.
De volta para casa porque ninguém é de ferro, as meninas conseguiram 
levar os dois gatos para casa.
Cada qual com seu gato foram logo dando os nomes.
- Você ouviu a moça da loja dizer que o meu gato é uma gata?! - disse Maria à Mariana.
- Ouvi, mas eu queria um gato mesmo – disse Mariana conformada pelo fato do seu gato ser um gato mesmo.
- E ela vai se chamar Mia.
- Tá bom, o meu vai se chamar Miau - disse Mariana
Todo aquele miado, finalmente deu certo para a branquinha que agora sabemos que se trata de uma gata com nome de Mia e o malhadinho, um gato que agora se chama Miau.
Finalmente Mia e Miau estavam livres para brincar, pular, saltar, rolar no tapete e se divertir com aquelas duas meninas que eram iguaizinhas e muitas vezes por serem iguais, isto é, sapatos iguais, vestidos iguais, cabelos iguais, deixavam os dois muito tontos.
Mia muitas vezes pulava no colo de Mariana achando que era Maria e Miau achava graça quando isso acontecia, tudo porque Mia não parava de saltar para lá e para cá, e isso acontecia porque muitas vezes Miau saía a procura de passarinhos no quintal deixando sua dona Mariana procurar por ele pela casa toda até que ela se cansasse e daí ela se esparramava na poltrona da sala e ele dava saltos sobre ela, assustando – a, isso se Mia não estivesse lá recebendo o carinho que era para ele.
Já com Maria era diferente. Se Miau viesse por engano se aconchegar no colo dela, ela imediatamente dizia:
- Sai pra lá, seu gato!
Mas tudo era muito divertido.
O tempo foi passando. Maria e Mariana começaram a namorar, e adivinha o que aconteceu?
Tanto o namorado de Maria quanto o de Mariana tinham alergia por gatos.
Era uma espirradeira danada: atchim pra lá, atchim pra cá.
- Tira esse gato daqui – dizia um.
- Leva esse gato para lá – ordenava o outro.
Finalmente Maria e Mariana se casaram.
Mia e Miau então ficaram aos cuidados do senhor Lindomar e dona Verônica.
- Sobrou para nós – disse dona Verônica.
Até que Maria teve seu primeiro filhinho, o Marcelinho.
Certa vez Marcelinho foi passar um dia na casa dos avós.
Assim que chegou foi perguntando pelos dois gatos:
- Onde estão Mia e Miau? – disse o menino.
Foi quando o senhor Lindomar levou o neto até a janela que dava para os fundos do quintal e disse a ele que Mia e Miau estavam lá em cima no céu, vivendo numa nuvem macia, sob a luz do luar.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Prosa de sertanejo


Me chamavam de Penélope
mas nem de longe era charmosa
só por causa que eu tinha,
um fusca cor - de - rosa.

Pro meu neto o fusca eu dei
e ele começou a usar.
E assim ele me disse:
- Com esse fusca eu vou abafar.

- Fuscão preto, camaro amarelo,
muito sucesso se vez.
- Mas com esse fusca cor - de - rosa,
agora chegou minha vez.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Florisbela



 Era uma vez uma menina
que quando alguém tossia
ela dizia:
Que nojo!

Ou quando alguém
espirrava,
ela falava:
Que nojo!

Até que um dia, ela encontrou um príncipe encantado.

Assim que o príncipe
soltava um atchim,
ela pegava o lenço
para ele limpar o nariz.

Ou quando o príncipe
tomava um prato de sopa,
ela pegava um guardanapo
para ele limpar a boca.

E assim ela esqueceu de dizer: “Que nojo!” pra tudo.
Sabe porquê? Por que ela se apaixonou.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Palavração

Participação com a historinha: "Correu... bateu... morreu..." 
que poderá ser lida na postagem de 25/09/2015.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Da janela do meu carro


Acordei pela manhã com um rápido beijo com gosto de café e batom sabor morango. Era assim todas as manhãs quando saía para o trabalho e Darlene vinha à nossa cama me acordar. Porém hoje o dia seria diferente ou igual como em todos os anos. Dois de novembro, dia de finados.
- O café tá pronto, é só se servir. Vou buscar minha mãe pra gente ir ao cemitério.
Detestava este dia. Não era de costume mas com a vó Sônia, iríamos de carro.
Levantei – me, tomei banho e depois de tomar um gole de café, fui ao quarto da Carol. Passei a mão em se rosto e ela resmungou, pois minha mão estava gelada.
Da janela da sala vi a vó Sônia – é como eu chamo a minha sogra – entrar no carro. Como em todo dia de finados, uma garoa fininha caía lá fora.
- Você já poderia ter tirado o carro, né bem?! - disse eu à Darlene.
- Bom dia, pelo menos!
- Bom dia, vô Soninha – disse à vovó, sem ligar para Darlene.
- Êta feriado – pensei comigo - esse é um dia em que no dia seguinte a gente vira um trapo, e que a gente pensa que é nada e por aí vai.
Chegamos à porta do cemitério, e uma fila de carros nos esperava.
- Meus Deus, é fila pra tudo.
- Não reclama vai – me disse Darlene batendo a porta do carro.
- Onde você vai Darlene?
- Vou comprar as flores, a gente se encontra lá.
Olhei pelo retrovisor do carro e vi vovó Soninha soando o nariz com o lenço do vô Alfredo. Vovô tirava o lenço do bolso detrás das calças, não sei quantas vezes por dia, aquele mesmo lenço xadrez que parecia ser o único.
Vovô – era assim que chamava meu sogro – havia falecido fazia dois meses e vovó não desgrudava do tal lenço.
Aos poucos, adentrávamos no cemitério. A guarda municipal, assegurava todos que estavam por lá. Policiais também circulavam a área mas eram do Coral da Polícia Militar de São Paulo que se apresentam no Mausoléu todos os anos em reverencia à memória dos policiais mortos no cumprimento do dever.
O tempo havia estiado e um raio de sol me deixou mais alegre. Quase pensei em desistir, mas vendo a vovó no banco de trás, realmente não teria jeito.
Aos poucos, os carros acomodavam – se estacionando nas ruas estreitas e as pessoas, queixavam – se:
- Que absurdo todos esse carros aqui dentro que não tem nem como a gente andar direito.
Não eram só os carros, haviam poças d' água por todo o cemitério e isso também dificultava a circulação dos visitantes.
- Como está isso! - disse eu em voz alta.
- O quê?
- Eu disse que estamos quase chegando vovó – respondi.
E enquanto o quase não chegava, fui lendo através da janela do carro, as placas com datas de nascimento e de morte e nomes de famílias como
Oliveira, Castro, Bauducci, importantes nomes dentro da sociedade.
O que me chamou a atenção foi de uma placa com o dia e o mês do meu nascimento: 11 de agosto. Porém o ano era de 1.886.
- Olha vovó, a data do meu nascimento – falei apontando para a placa que vi da janela do meu carro.
- O quê?
Entre o ano do meu nascimento com o do falecido havia calculado a diferença de 72 anos.
- 1.958 menos 1.886 igual a 72 anos.
- O quê?
- Nada não vovó.
E segui os cálculos: 1.886 pra 2.015.
- Noooosssa, ele ou ela nasceu à 129 anos atrás.
- O que vocề disse filho?
- Nada não vó. É uma pessoa que nasceu há 129 anos atrás, tá enterrada aqui neste cemitério. Como é antigo aqui né vó?!
Finalmente havíamos chegado. Estacionei o carro o mais próximo que pude do túmulo, e mais uma quadra deixaria vovó bem à porta.
Avistei Darlene colocando o vaso de flores amarelas sobre o túmulo. Ajudei vovó a sair do banco detrás do carro e vovó já procurava um lugar para se sentar.
- Darlene, não vamos demorar por favor. Aliás onde é o banheiro?
Eu estava apertadíssimo.
- Na administração - respondeu Darlene, apontando em direção à porta principal do cemitério.
Passei pela guarda e um rapaz também perguntava onde ficava a administração.
Resolvi falar com ele:
- Você também procura pela administração?
- É. A guarda disse que é nessa direção virando à direita.
- Você também vai ao banheiro?
- Não, vou perguntar onde é o túmulo da família dos meus avós que se esqueceram onde fica.
- Ah!
Chegamos à administração que estava lotada. Logo avistei a porta do banheiro.
Na volta ao túmulo onde Darlene e vovó estavam, coisas estranhas ocorreram. Percebi um senhor sentado sobre um dos túmulos recitando alguns versos que eu acreditava ser de Mário Quintana:
Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?
Já, uma outra senhora que passava pelos túmulos, repetia:
São todos abençoados
São todos abençoados
E eu pensava com os meus botões, a maneira com que cada pessoa homenageava seus entes queridos.
De repente como do nada, uma voz chegou aos meus ouvidos:
Se dez vida eu tivesse, dez vida eu daria”.
- Quem disse isso? - perguntei procurando por alguém que estivesse ali por perto.
- Sou eu! Não foram essas as palavras de Tiradentes antes de morrer enforcado em praça pública no ano de 1.792?
A placa estava lá, bem debaixo do pé dele: 11/08/1.886.
- Você vê? Nascemos no mesmo ano e agora estamos aqui.

Custou a entender do que se tratava, mas percebi que era “coisa do além” e assim tratei de sair dali o mais rápido possível.
- Ei onde você vai? - ele me perguntou.
Sem que eu olhasse para trás, ouvi ele dizer:
- Quer saber, vou embora também.
Virando as costas para ver para onde ele estava indo, reparei que ele havia sumido para dentro do túmulo através da porta.
Suando frio, cheguei onde vovó e Darlene estavam. Assim que contei essa história para Darlene, ela não acreditou e disse que eu havia bebido.
Depois que o susto passou, tudo o que sei é que às vezes, não só em dia de finados mas sempre que eu posso, dou uma passadinha no túmulo do falecido Homero da Cunha, que agora sei o nome, e fico a espera de que ele um dia apareça para a gente quem sabe, bater um papo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Espelho quebrado


Mary Anne chega tarde da faculdade. Estuda música. Quer ser baixista. Gosta do clássico mas prefere o rock. Vai entender….
Sonha em tocar numa dessas bandas que fazem sucesso.
O namorado é baterista. Anda com as bateras sempre nas mãos, quando não, enfiadas nas calças jeans, que está sempre descendo da cintura pernas abaixo.
Naquela tarde ela e Frederico brigaram feio. Tudo por causa da Susi, única irmã e mais velha que ele. Mary Anne não a suporta. Fora os olhares que ela lança sobre a figura de uma guitarra tatuada num de seus braços. Chega a sentir ciúmes por causa disso. Susi reprova a tatuagem.
Brigou com os pais, mas um amigo do Fred se propôs a fazer a tatuagem de graça! O barato saiu caro
Fora a dor que sentiu, ficou uma semana sem o celular, só por castigo.
Isso é só inveja! - disse Mary à Frederico.

Para quê ela foi dizer isso. Fred, ah!, subiu pelas paredes.
Todos os três iam ao cinema, mas o programa “melou”. Se fosse somente ela e o namorado….
Mas porquê sempre a Susi no caminho dela.
Chegando em casa, Mary Anne pegou a guitarra. E no volume mais alto, tocou a nota mais alta da escala musical.
De repente, o espelho quebrou. Os estilhaços voaram pelo quarto e quase acertou o rosto dela. Assutada tirou a guitarra do seu pescoço. A nota, foi fatal!
Mary Anne quase se arrependeu, se não fosse pela raiva.
A mãe entrou no quarto para ver o que havia acontecido, mas muito mais tarde do que ela imaginou. Pegou no sono e acordou no dia seguinte. Dona Geórgia recolheu os cacos de vidros espalhados na noite anterior. Foi como havia imaginado.
Dormiu a noite inteirinha e levantou – se no dia seguinte. Foi quando calçou o All Star rosa, que percebeu um pedaço do espelho.
Pegou – o com as pontas dos dedos para não se cortar. Perguntou – se como foi que aconteceu aquilo. O pequeno espelho onde refletia somente o rosto e que ficava atrás porta, por quantas vezes, batia aquela porta do quarto e nunca que quebrou o espelho?!
No dia seguinte comentou com sua melhor amiga Bernadete o que ocorreu.
Deve ser um golpe de ar! – comentou Bernadete
Foi sim. Um golpe de azar, isso sim. Agora são sete anos que eu tenho de azar pela frente.
Bem, com azar ou sem azar, Mary Anne foi para a faculdade. O professor entrou na sala de audição. Sentindo – se poderosa com o que aconteceu enfrentou mais um clássico, mas ela é puro rock, pode crer….